A Síndrome de Burnout e seus impactos nos profissionais da saúde

A Síndrome de Burnout costuma ser definida como um estado de exaustão, tanto física quanto mental, diretamente relacionada ao trabalho. Possui três diferentes eixos: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização na profissão (baixa valorização ou autoestima).

Os sintomas são variados. Podem lembrar os sintomas da depressão, como falta de vontade de conviver com amigos, autodepreciação e ansiedade. É comum assumir cada vez mais trabalho e ficar sobrecarregado. Também é comum negar que exista algum problema, não aceitar ajuda, e até mesmo usar drogas como mecanismo de fuga.
Estão mais sujeitos a esse tipo de síndrome neste momento de pandemia os profissionais de áreas fundamentais, como professores, profissionais da linha de frente, como profissionais de saúde, bombeiros, policiais. Estão normalmente em situação de pressão, em trabalhos com alta exigência de excelência e precisão e que neste momento, além de terem os holofotes em cima, ainda passam por mais dificuldades de recursos e apoio, sendo que muitos ainda estão expostos a maior risco de contrair a doença. Todo esse cenário é perigoso para o desenvolvimento de algum grau de Burnout. Tanto que mais da metade dos profissionais que atuam na emergência normalmente possuem graus moderados a altos de Burnout.

O tratamento para alguém nessa situação não é tarefa fácil. Começa na dificuldade em mostrar que ela precisa de ajuda. Precisa parar e dizer “não”, que não pode mais se exigir mais do que tem condições de ofertar. Num segundo momento e, dependendo do caso, o auxílio de profissionais da área da psicologia e/ou psiquiatria pode contribuir para a melhora dos sintomas.

Outro fator importante são os riscos a que estão sujeitos os pacientes da emergência ao serem atendidos por alguém com a síndrome. Sabe-se que profissionais em Burnout tem mais chance de cometer erros. É fundamental garantir um bom ambiente de trabalho em locais onde existe grande prevalência de Burnout pela simples natureza da atividade exercida. O ambiente de trabalho colabora para uma diminuição nos níveis de Burnout, além de contribuir positivamente na qualidade de atendimento aos pacientes.

Dra. Ana Paula da Rocha Freitas, médica emergencista e 1ª Secretária da ABRAMEDE

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