Entrevista do presidente da ABRAMEDE para a Revista Emergência

“Estamos vivendo um momento que nenhum emergencista imaginou viver antes em sua atividade profissional”. Esta é a opinião do médico emergencista e presidente da ABRAMEDE, Hélio Penna Guimarães, sobre a realidade atual da emergência brasileira diante da pandemia que parou o mundo. Segundo ele, apesar das disparidades entre estruturas públicas e privadas quanto à preparação para os atendimentos, o empenho e dedicação dos profissionais emergencistas brasileiros tem sido exemplar. “Organizando fluxos, brigando por condições de trabalho adequadas e equipamentos de proteção pessoal individual, trabalhando com geração e disseminação de conteúdo e técnicas de aprimoramento, enfrentando de frente o grave problema com maturidade. A Medicina de Emergência brasileira foi obrigada a saltar da infância para a vida adulta na pandemia, sem passar pela adolescência, e acho que está se superando a cada dia”, diz Penna.

Para auxiliar o atendimento, em especial, dos profissionais de emergência do APH, Penna fala do Protocolo criado recentemente por algumas entidades, entre elas a ABRAMEDE, e que traz recomendações para atendimento a pacientes portadores da Covid-19. Atuando no Estado de São Paulo, cujos números da doença são expressivos, ele comenta sobre os desafios que o setor de emergência enfrenta como o distanciamento social, a falta de EPIs e de integração. Sobre estes e outros assuntos relativos ao enfrentamento da pandemia no Estado e no país, o médico deu esta entrevista.

PERFIL
HÉLIO PENNA GUIMARÃES

Graduado pela Universidade Federal do Pará, em 1993, Penna é médico especialista em Medicina de Emergência (2017), pela ABRAMEDE/AMB (Associação Brasileira de Medicina de Emergência), Medicina Intensiva (2000), pela AMIB/AMB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), Clínica Médica (1999), pela SBCM/AMB (Sociedade Brasileira de Clínica Médica), e médico especialista em Cardiologia (1998), pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo/SP. Tem Mestrado em Dirección Médica y Gestión Clínica (2013), pela (UNED) – Instituto Carlos III (Madri/Espanha), e Doutorado em Ciências (2011), pela USP (Universidade de São Paulo). É médico do Departamento de Pacientes Graves/Centro de Terapia Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo/SP, e médico da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo/SP.

Professor afiliado do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina-EPM/UNIFESP eProfessor Titular da Disciplina de Medicina de Emergência do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo/SP. Membro das Câmaras Técnicas de Medicina de Emergência e Medicina Intensiva do CREMESP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) e membro da Câmara Técnica de Medicina de Emergência do CFM (Conselho Federal de Medicina). Autor/editor de diversos livros nas áreas de Medicina de Emergência e Medicina Intensiva. É presidente da ABRAMEDE(Associação Brasileira de Medicina de Emergência), gestão 2020-2021.

COMO O SENHOR SE INTERESSOU PELA ÁREA DE EMERGÊNCIA E COMO TEM SIDO SEU ENVOLVIMENTO COM O APH?

Meu interesse pela Medicina de Emergência começou no terceiro ano da graduação médica, quando iniciei estágios voluntários em alguns prontos-socorros municipais e unidades de terapia intensiva. Durante a graduação eu pensei em fazer Medicina de Emergência como especialidade, mas, infelizmente, descobri que na época (1993) não existia tal especialidade e residência no Brasil. Então, considerei fazer nos Estados Unidos, mas, naquele tempo, não dispunha de recursos para tal. Ainda assim, ao iniciar minha formação nas residências médicas que fiz, me mantive focado no aprendizado do Departamento de Emergência. Atuo na área assistencial, ensino e pesquisa em Medicina de Emergência desde 1994. Apesar de não mais atuar no APH, minha proximidade com os emergencistas desta área de atuação ainda é muito grande, por meio de câmaras técnicas, programas de capacitação, pesquisa ou por meio do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS), desde o programa de Telemedicina SAMU, implantado em 2009, o qual coordenei por muito tempo, por meio do Hospital do Coração-HCor, em São Paulo/SP.

A entrevista na íntegra está no site: https://www.revistaemergencia.com.br/destaques-revista-emergencia/entrevista-enfrentando-a-pandemia-ed-134/

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