”Sobre mãe, sobre mães…”

Minha homenagem
A Dona Lenir
Que nos Deixou

Lembro que, em minha tenra infância (devia ter uns 9 ou 10 anos), aprendi a andar de bicicleta numa “monareta” emprestada por nossa vizinha. Fiquei fascinado pela tal magrela de duas rodas – até porque nunca havia tido a oportunidade de andar em uma (além de que a maioria dos meus colegas já tinha a sua própria!). Eis que esse foi o meu primeiro sonho de consumo – e foi ela quem, com seu carinho, me presenteou após uma longa espera desde a primeira solicitação.

Depois disso, foram tantos sonhos realizados por sua intercessão que eu precisaria de um livro inteiro só para contar. Quando passei por apertos e chorei, era ela quem me consolava: foi assim no término com a primeira namorada, num mau resultado de vestibular e em outras tantas amarguras. Era ela quem me levantava o moral.

Nos momentos de alegria, me agraciava com suas deliciosas receitas: seu feijão preto não perdia para feijoada alguma; sua galinha à cabidela e seu baião de dois eram incomparáveis.

Mas nunca esquecerei que seus maiores tesouros eram, na verdade, sua bondade e sua solidariedade. Exerceu, como poucos, sua ação cristã. Deixou um legado de atos de caridade de fazer inveja mesmo a grandes padres e pastores. Foi mãe por excelência, uma mulher forte… uma amiga.

Neste momento, a solidão e a impotência me invadem o coração, pois sei que nada que tenha ou que teria feito poderia retribuir toda sua dedicação, seu amor e seu tempo dispensados. Com certeza, deve haver um bonito lugar no Céu para esta mulher à qual tive o privilégio de chamar de minha mãe.

Que Deus a proteja sempre.

– Frederico Arnaud

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