Simpósio de Trauma, Urgência e Emergência do Delta

Autores: Natalya de Carvalho Lima, Paulo César Monteiro Florêncio e Alyne Araújo Silva
Post Peer Reviewed por: Letícia Rios

A Liga Acadêmica de Trauma, Urgência e Emergência do Delta – LATURE/UFDPar está há seis anos engajada na disseminação de conhecimentos voltados a essa área de grande crescimento no Brasil, a Medicina de Emergência. No intuito de potencializar essa propagação, tanto ao público acadêmico quanto à população fora dos muros da Universidade, a LATURE organizou o II Simpósio de Trauma, Urgência e Emergência do Delta (II SITUE), em 2019, no município de Parnaíba, litoral do Piauí.

O II SITUE foi um evento multiprofissional, que ocorreu entre os dias 20 a 22 de setembro de 2019 na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, com palestrantes da área da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) abordando atualizações das mais diversas situações de emergência. Temas como Atendimento inicial ao politraumatizado, Sepse e Choque séptico na Emergência, Abordagem da via aérea na Emergência foram ministrados de forma espetacular por convidados renomados, inclusive de outras localidades, que aceitaram vir ao nosso litoral e abrilhantar nosso evento. 

A organização do evento foi realizada pelos então 15 membros da LATURE, orientador pelo coordenador da Liga. Devido à grande divulgação digital do Simpósio, alcançamos cerca de 150 inscritos. Dentre os motivos para esse grande engajamento no evento, além do forte marketing e dos renomados palestrantes multiprofissionais, o nosso Simpósio contou com submissão de trabalhos científicos publicados em Anais, o que pode ter atraído muitos estudantes interessados em publicar suas pesquisas científicas. Outro fator de atração foi a realização de cursos práticos de Sutura e Intubação Orotraqueal, no último dia do Simpósio, atividades que sempre causam grande curiosidade nos acadêmicos.

Dado o grande sucesso do II SITUE, a LATURE está atualmente organizando o III SITUE, em sua versão online. Em breve, mais informações sobre esse Simpósio que contará com a participação de grandes nomes da Emergência a nível nacional. É sempre uma honra para a LATURE disseminar conhecimentos dessa especialidade encantadora, e levar a emoção da Sala Vermelha para dentro do Campus Universitário!


Conheça a Liga:

LATURE – Liga Acadêmica de Trauma, Urgência e Emergência do Delta (@latureufpi)
Universidade Federal do Delta do Parnaíba – UFDPar
Parnaíba/PI

Cite esse post como: LIMA, N. C. FLORÊNCIO, P. C. M. SILVA, A. A.  II Simpósio de Trauma, Urgência e Emergência do Delta. Ligas em Foco, Comissão Acadêmica da ABRAMEDE, jul/2021. Disponível em: https://abramede.com.br/simposio-de-trauma-urgencia-e-emergencia-do-delta/


Eventos Acadêmicos, muito além da teoria!

Autores: Ana Carolina Sampaio Freire e Davi Balica de Oliveira
Post Peer Reviewed por: Indira Odete Amorim de Matos Menezes

Aproximando alunos do 1º ao 12º semestre às competências do Médico Emergencista e do Cirurgião do Trauma.

A Semana de Trauma e Emergências Clínicas é um evento realizado anualmente, no segundo semestre letivo, pela Liga de Emergência e Trauma da Universidade de Brasília (LET UnB). Estruturada na forma de um mini congresso para acadêmicos da saúde, a atividade em questão é realizada no decorrer de 3 dias, contendo atividades teórico-práticas dentro das diferentes temáticas da Medicina de Emergência e Cirurgia do Trauma.

Tem como objetivo principal difundir conhecimentos médico-científicos entre os acadêmicos em diferentes estágios da graduação, incentivar a participação de calouros no movimento de ligas acadêmicas, mostrar a importância das especialidades abordadas e arrecadar fundos para o desenvolvimento de projetos internos para membros da LET UnB.

Esse evento é uma tradição em nossa liga, tendo ocorrido mais de 8 edições presenciais, com um público médio de 120 alunos por ano, até 2019 (antes do início da pandemia do COVID-19). Ele apresenta 3 grandes eixos: palestras, atividades práticas e integração.

A cada ano tentamos estruturar palestras com médicos renomados em nossa cidade sobre temáticas variadas, como insuficiência respiratória, atendimento ao politraumatizado, sepse e choque séptico.

Junto às aulas teóricas, organizamos atividades práticas que coloquem em jogo os conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas, permitindo uma integração dos conhecimentos teórico-práticos para o desenvolvimento e/ou aprimoramento de habilidades. E, para tornar o ambiente educativo descontraído, tentamos proporcionar uma integração entre os alunos por meio de coffee breaks e stands de fotos para divulgação do evento.

Para o funcionamento de um evento com esse, é muito importante tentar conseguir o apoio institucional das associações e/ou sociedades relevantes para o seu evento, eles podem ajudar com palestrantes estaduais, divulgação do evento, e até mesmo chancela dos certificados.

Outro fator relevante para o sucesso do evento é uma boa divulgação e bons patrocinadores. Montar stands de venda de ingresso, criar artes atrativas, fazer uma ampla e frequente divulgação das atividades, pelo instagram e grupos do whatsapp, ajudam muito em atrair estudantes, até mesmo de outras faculdades e cursos. Enviar emails para empresas locais ou nacionais pedindo apoio, seja em dinheiro, em brindes ou material para sorteio, ou em serviços, é uma ótima forma de tentar tornar o seu evento mais atrativo e profissional. Foque em colégios, cursinhos, empresas de formatura, fotografia e/ou voltadas para o meio médico, porém também existe espaço para ser criativo e buscar coisas diferentes!

Em sua modalidade presencial, é necessário a reserva de auditórios e/ou salas (salas de aula, laboratório de cirurgia experimental ou anatomia, dependendo da atividade) que acomodam a quantidade de participantes prevista para as atividades teóricas e práticas. Além dos locais, diferentes materiais são necessários para a realização das atividades práticas, dependendo diretamente das atividades que foram escolhidas para a edição.

Como exemplo, nos dias 15, 16 e 18 de outubro de 2019 foi realizada a 8ª Edição do Evento. Como especificado anteriormente, este evento também foi baseado em três grandes eixos, onde foram realizadas 5 palestras, atividades práticas, incluindo o curso de sutura, e momentos de coffee break, ao longo dos 3 dias. Esse evento ocorreu no período noturno, de 18:30 às 22:30, para ser acessível ao maior número de estudantes possível. Todos os dias, tínhamos uma ou duas palestras, com duração total variando de 1 hora a 2 horas. Logo após, os participantes realizavam um intervalo com o coffee break. E, por fim, fazíamos as atividades práticas em grupos menores.

Para as práticas, dividimos os participantes em 3 grupos, dessa forma, cada grupo tinha um dia específico para a realização do rodízio de práticas e curso de sutura. Por exemplo, o Grupo A tinha o rodízio de práticas no 1º dia de evento, o curso de sutura no 2º dia, e o terceiro dia pós-coffee break era um momento de folga, o Grupo B tinha o curso de sutura no 1º dia e práticas no 3º dia, e o Grupo C tinha práticas no 2º dia e sutura no 3º dia. Para as práticas, cada grupo foi redividido em 4 subgrupos menores possibilitando o rodízio entre as 4 estações a cada 20 minutos.

As práticas vão variar de acordo com a disponibilidade de material, seja próprio da liga ou da faculdade/hospital, podendo ser desde meninos recursos, com simulação de casos clínicos com atores, a treinamentos de intubação orotraqueal, reanimação cardiopulmonar, utilização do desfibrilador externo automático e curso de sutura.

Por último, a organização e o trabalho em equipe de todos os integrantes da liga é fundamental para o preparo e funcionamento do evento. Como dicas, posso mencionar a importância da divisão de funções e estipulação de metas para a realização de determinadas tarefas antes, durante e depois do evento. Buscar o apoio da sua faculdade, do seu hospital e de seus professores pode ser ótimo para dar uma maior segurança durante o desenvolvimento do projeto.

Existem muitos desafios ao realizar um evento de larga escala, principalmente pelos custos. Mantenham uma planilha organizada com os orçamentos de materiais necessários, comidas e bebidas para os coffee breaks, e outras demandas que possam surgir. Isso irá guiar vocês no processo de estipulação de preços acessíveis de ingresso para estudantes e nos pedidos de apoio e patrocínio.

Alguns imprevistos podem surgir, muitas vezes que fogem do controle da equipe, nesses momentos é importante manter a calma para agir da melhor forma possível. Não desista! Realmente é algo muito gratificante, ver estudantes de diferentes etapas no curso aprendendo e se apaixonando pela emergência e trauma. Em muitos casos, essas mesmas pessoas acabam conhecendo a liga por meio desse tipo de evento, almejando, no futuro, fazer um processo seletivo e se tornar parte da nossa equipe. Iniciativas como essa, possibilitam a renovação e propagação de ligantes curiosos que amam Medicina de Emergência e Cirurgia do Trauma para manter a tradição da Semana de Trauma e Emergências Clínicas da Universidade de Brasília firme e forte ao longo dos próximos anos.

“Fui para a Semana de Trauma já muito animada por ser uma das áreas que eu mais me interesso, mas a organização do evento superou todas as minhas expectativas… Além de aulas de assuntos muito pertinentes e interessantes com professores didáticos, o evento tinha salas de simulação com atividades diferentes que, para mim, como caloura, foi uma experiência única, que eu não teria no Ciclo Básico ainda. Foram diversas práticas com monitores para nos orientar e, de fato, conseguirmos entender o que estava acontecendo. Com certeza, foi uma das minhas melhores experiências de início de curso, principalmente, por me fazer ter certeza que estava no lugar certo. Depois da Semana de Trauma, tudo que eu queria era fazer parte da LETUnB e ter mais um gostinho do que foram aqueles 3 dias de muito conhecimento… e cá estou, no meu segundo ano de liga e zero arrependimento.” – (Isabella Moura de Oliveira – Estudante do 6º de Medicina e Ligante da LETUnB)

“A Semana de Trauma de 2018 foi sem dúvida um dos melhores eventos acadêmicos que eu já participei! Como caloura, eu não havia experienciado nada na prática, e a ideia de ter um evento com aulas de intubação e RPC já me encantou de cara. Por não ter nenhuma bagagem, acreditei que as aulas teóricas seriam muito além da minha capacidade de entendimento, mas eu estava errada. Todos os professores foram do básico ao avançado em uma progressão que era simples e prazerosa, facilitando o entendimento dos alunos. E quanto às práticas, se eu já estava animada antes de realizá-las, imagina no ato…. Muito mais do que apenas ensinar, os monitores instigaram a nossa curiosidade pelo assunto por meio de casos clínicos que eram capazes de abranger todos os níveis de conhecimento. Sem dúvidas um evento completo que eu participaria novamente se pudesse!” (Ana Paula Querino Belluco – Estudante do 6º de Medicina e Ligante da LETUnB)


Conheça a Liga:

LETUnB – Liga de Emergência e Trauma da Universidade de Brasília (@let.unb)
Universidade de Brasília
Brasília/DF

Cite esse post como: FREIRE, A. C. S. OLIVEIRA, D. B. Eventos acadêmicos, muito além da teria. Ligas em Foco, Comissão Acadêmica da ABRAMEDE, jul/2021. Disponível em: https://abramede.com.br/conexao-emergencia-conectando-futuros-emergencistas-durante-a-pandemia/


Oficina Prática de Imobilização e Transporte

Autor: Letícia Lemos Rios Vital
Post Peer Reviewed por: Henrique Herpich

A atividade em questão foi uma oficina prática, na qual após uma breve explanação teórica se seguiu com a simulação realizada por alunos e professor. A atividade teve como principal objetivo praticar com alunos da graduação as técnicas corretas para a imobilização e transporte seguro do paciente, abordando o uso de colar cervical, prancha rígida, imobilização pélvica, rolamento e movimentação do doente.

Para a realização ideal da oficina foi necessário materiais que não são tão fáceis de serem encontrados, a exemplo da cinta pélvica, tendo sido essa a principal dificuldade encontrada para a realização da atividade. O problema foi resolvido com o fornecimento de materiais pessoais e de outras instituições providenciadas pelo professor que ministrou a oficina. Porém, é válido ressaltar que o falta do material em questão não impossibilita a realização da oficina, visto que imobilização pélvica pode ser improvisada com lençol. 

A atividade foi ministrada por professor, bombeiro e médico ortopedista atuante no pré-hospitalar e contou com o auxílio de dois ligantes aptos a ajudarem o professor. O público alvo da oficina foram estudantes de medicina de qualquer semestre da graduação, tendo sido alcançado um público total de 15 estudantes. Ainda nesse contexto é importante elencar que a atividade pode ser estendida para um número maior de estudantes a depender da quantidade de material e do espaço físico.

A atividade foi realizada no laboratório de simulação da faculdade, tendo durado cerca de 2 horas, e necessitou de materiais como: colar cervical de diferentes tamanhos, KED, capacete, ataduras, pranchas rígidas, talas, lençol para imobilização pélvica, manequim e EPI. Além disso, foi muito importante a presença de um grupo de pessoas para que fizessem a simulação, incluindo o papel da vítima.

A oficina iniciou com uma explanação teórica a respeito de como agir diante do politraumatizado visando diminuir morbimortalidade ao manipular o doente, também recebeu foco o reconhecimento de lesões graves, como fratura de pelve, TCE e TRM. Foram abordados temas como a colocação do colar cervical em diferentes posições (decúbito dorsal, decúbito ventral e no carro), retirada de capacete, colocação do KED e retirada do veículo, colocação na prancha rígida, rolamento 90o e 180o e transporte do traumatizado.

Após exposição teórica foi mostrado para o grupo maior na prática como realizar cada etapa. Em seguida os participantes foram divididos em grupos menores para que pudessem praticar e sanar as dúvidas que apareciam durante a realização. Para que a prática se tornasse mais real, levando em conta as diferenças do peso e tônus entre uma pessoa real e o boneco, optou-se pela simulação com os próprios alunos no papel de vítima e não o manequim.

Diante disso, é interessante ressaltar que a prática foi muito enriquecedora, pois se tratou de uma atividade com um grupo pequeno, possibilitando que todos praticassem e tirassem suas dúvidas que surgiam ao longo da aula e também da prática. Além disso, por ter abrangido alunos de qualquer período, muitos tiveram o contato inicial com condutas do APH na oficina e puderam aprender como manipular de forma segura o doente para que não piorem lesões, bem como reconhecer tais lesões.

“Participar da oficina prática de imobilização e transporte foi muito interessante porque podemos ter contato com partes da prática que não vemos tão bem durante a faculdade, como o uso da cinta pélvica, já que na minha faculdade não tem, então só aprendíamos a usá-la na teoria e não na prática. Como ligante e estudante acabei assumindo dois papeis: o de auxiliar o professor, mas também de aprender o que ainda não sabia, assim, foi muito proveitoso para a fixação dos conhecimentos. “
(Marinna Karla da Cunha Lima Viana – Ligante LAUET PB)


Conheça a Liga:

LAUET – Liga Acadêmica de Urgência, Emergência e Trauma (@lauetpb)
Centro Universitário de João Pessoa (Unipê)
João Pessoa/PB

Cite esse post como: VITAL, L. L. R. Oficina Prática de Imobilização e Transporte. Ligas em Foco, Comissão Acadêmica da ABRAMEDE, mai/2021. Disponível em: https://abramede.com.br/oficina-pratica-de-imobilizacao-e-transporte/


Conexão Emergência: conectando futuros emergencistas durante a pandemia

Autor: Gabriel Dias de Oliveira
Post Peer Reviewed por: Henrique Herpich

O “Conexão Emergência” foi um projeto desenvolvido pela LEMT – Liga Acadêmica de Emergências Médicas e Trauma da Universidade Federal de Pelotas. Nosso projeto teve como objetivo encurtar distâncias e promover o encontro de todos aqueles apaixonados por Medicina de Emergência para estudar e se atualizar na área durante o início da pandemia de COVID-19.

O projeto foi desenvolvido ao longo de doze semanas, com início Maio de 2020. Os encontros eram gratuitos e amplamente divulgados através das redes socias da LEMT e dos ligantes. A cada semana, os encontros aconteciam via Google Meet e um tema previamente estabelecido era divulgado. A fim de nortear a discussão, um (a) palestrante, de preferência emergencista, era convidado e detinha um espaço com cerca de 01 hora e 30 minutos para desenvolver a sua atividade.

Todos os 24 membros da LEMT faziam parte da equipe. As semanas foram divididas entre duplas que ficavam responsáveis por escolher o palestrante e prestar suporte até o dia da aula. A fim de estimular a autonomia dos membros, a dupla organizadora tinha liberdade de escolher o convidado, o formato (caso clínico ou aula expositiva), apresentar o convidado e repassar as perguntas ao final da aula.

Utilizamos como recursos: redes sociais da LEMT, Google Forms para receber os contatos dos interessados, MailChimp para enviar os links das aulas e o Google Meet para realizar os encontros. Na primeira semana realizamos a aula através do StreamYard com transmissão para o YouTube, porém tivemos alguns problemas técnicos e a partir de então optamos por manter os encontros no Google Meet e sem gravação dos mesmos.

Como dificuldades, além desse problema técnico na primeira aula, demoramos a decidir por manter as aulas no Google Meet. A plataforma Zoom nos trazia muitos benefícios, porém não tínhamos recursos para utilizar a versão paga o que acabou inviabilizado essa ferramenta. Além disso, foi difícil manter as aulas no mesmo dia da semana pois cada convidado tinha um dia livre diferente na semana e acreditamos que isso tenha influenciado no público de algumas aulas.

Como pontos positivos, tivemos a oportunidade de ter aulas incríveis, com professores (as) a milhares de quilômetros de distância e que jamais teríamos oportunidade de trazê-los a um congresso ou uma aula presencial por exemplo. Além disso, abordamos temas como POCUS, abordagem ao grande queimado, IRpA por COVID-19, radiologia aplicada a emergência, ventilação mecânica e muito mais.

Ademais, tivemos a presença de participantes do Brasil, da Argentina, do Paraguai e da Bolívia, mostrando que tais iniciativas promovem além de tudo um intercâmbio cultural. E o principal de tudo: a nossa Liga se manteu forte, unida e ativa levando a paixão pela Medicina de Emergência para muita gente! Incentivamos você a também fazer parte dessa iniciativa! Quer saber mais? Pode entrar em contato com a gente:


Conheça a Liga:

LEMT – Liga Acadêmica de Emergência Médica e Trauma (@lemtufpel)
Universidade Federal de Pelotas
Pelotas/RS

Cite esse post como: OLIVEIRA, G. D. Conexão Emergência: conectando futuros emergencistas durante a pandemia“. Ligas em Foco, Comissão Acadêmica da ABRAMEDE, mai/2021. Disponível em: https://abramede.com.br/conexao-emergencia-conectando-futuros-emergencistas-durante-a-pandemia/


Ligas de Emergência: socorrendo a graduação!

Autor: Henrique Herpich
Post Peer Reviewed por: Ana Carolina Sampaio Freire

Há pouco dias completamos 11 anos da escrita da “Carta de Porto Alegre”, um documento histórico que pontuava a situação deplorável vivenciada nos departamentos de emergências e sugeria pontos de saída para essa crise. Ao lado da sugestão urgente de oficialização da Medicina de Emergência como especialidade médica e da criação por todo país de programas de residências, está também a necessidade de incentivo à criação da Disciplina de Medicina de Emergência em todos os cursos de graduação de medicina do país.

É verdade que avançamos muito desde então. Em 2016, a Medicina de Emergência finalmente virou especialidade médica e pulamos de apenas dois programas de residência para mais de quarenta programas na atualidade. Entretanto, a que ponto avançamos em nossas universidades?

A realidade é que a imensa maioria de nossas escolas médicas ainda é insuficiente, e muito, no ensino formal da medicina de emergência. Não abordando, em nossas universidades, o que a Medicina de Emergência é de fato, roubaremos de quantos estudantes o sonho de ser um emergencista?! Quantos “emergencistas” existem escondidos em outras especialidades, seja ela cardiologia, medicina intensiva, cirurgia geral, ou qualquer outra, porque não tiveram a oportunidade e o suporte para conhecer e acreditar na Medicina de Emergência?

Em contrapartida a toda essa triste realidade, as ligas de emergência se empenham em meios de suprir esse vazio, fornecendo maneiras de levar a emoção da sala vermelha para dentro do campus universitário. Muito mais do que discutir e aprender emergência, elas almejam a divulgação de uma realidade que infelizmente ainda é desconhecida por muitos acadêmicos: pode-se ser feliz na medicina de emergência e esse pode ser um dos lugares mais incríveis para se trabalhar.

Da mesma forma que grande parte das atividades no meio acadêmico, as ligas trabalham sustentadas por três grandes eixos de atuação: ensino, pesquisa e extensão.

No campo do ensino, são muitas as atividades que visam preencher as lacunas deixadas pelo currículo e aprofundar assuntos pertinentes no atendimento do paciente crítico. Seja por meio de simulações realísticas, explorando não apenas o conhecimento técnico, mas também o manejo emocional e a preparação psicológica necessária para a atuação em emergências, seja pela integração e imersão via simulação nos próprios departamentos de emergência, atuando lado a lado com emergencistas de profissão. Seja por meio treinamentos internos muitas vezes organizados por membros mais experientes e que abordam habilidades fundamentais para atuação na sala de emergência, seja explorando a riqueza e a diversidade das subespecialidades da Medicina de Emergência.

Além disso, no campo da pesquisa, as ligas representam um excelente meio de introdução e estímulo à medicina baseada em evidências, tão importante nos dias de hoje. O estímulo ao desenvolvimento e participação em trabalhos científicos desde cedo colabora tanto para o fortalecimento e o crescimento da pesquisa em medicina de emergência, ainda tímida em nosso país, quanto para descobertas que podem repercutir de forma significativa no cuidado do paciente grave.

Já no campo da extensão, é a hora de compartilhar com a sociedade o que esses aspirantes a emergencistas estão aprendendo dentro das universidades. São inúmeros os eventos sobre Primeiros Socorros e Reanimação Cardiopulmonar organizados por ligas de norte a sul do país e que juntas estão colaborando para a diminuição de mortes evitáveis e para a propagação de conhecimentos básicos de primeiros socorros para a população.

E não se enganem achando que pandemia de COVID-19 conseguiu frear o espírito emergencista desses jovens. A impossibilidade de eventos presenciais se tornou em uma grande oportunidade de expandir fronteiras no mundo online. Seja através de cursos que propiciaram uma verdadeira conexão entre os estudantes interessados por emergência, seja se mantendo perto da sociedade com cursos online de primeiros socorros.

Esses são apenas alguns dos projetos que vêm sendo desenvolvidos por diversas ligas em nosso país e vêm colocando em discussão a nossa mais nova especialidade médica.

Agora, se não existe uma liga de emergência em sua universidade, não se desespere. Essa é a melhor oportunidade que você poderia ter para começar uma. Sabendo da dificuldade de dar o primeiro passo, a Comissão Acadêmica da ABRAMEDE disponibiliza um passo a passo para a fundação de uma liga acadêmica, apresenta um estatuto modelo e se coloca à disposição para toda assessoria necessária nessa jornada. Click aqui para acessar a aba “Como fundar sua liga acadêmica”

Para as ligas de emergências já consolidas, a Comissão Acadêmica criou o Programa de Filiação de Ligas, possibilitando uma maior aproximação e auxílio da ABRAMEDE para com esses estudantes. Independente da sua trajetória, ao participar de uma liga de medicina de emergência, você deve tentar tirar o máximo dessa experiência. Separei para vocês algumas dicas para potencializar a atuação em ligas de emergência:

  • Estabeleça metas e seja organizado. A chave para todos os grupos de sucesso é ser organizado. Isso inclui a realização de reuniões regulares e a escolha das metas e objetivos para o ano letivo. Esse planejamento ajudará a prevenir conflitos, porque o ano letivo normalmente fica agitado e exigente ao longo das semanas.
  • Estimule treinamentos e workshops. Não há nada melhor e nem forma mais eficiente de aprender do que pondo a mão na massa. Treinamentos de procedimentos, ECG, US Point of Care, simulações, além de contribuírem para o conhecimento dos membros, tendem a aumentar a integração e comprometimento do grupo.
  • Explore a Medicina de Emergência e suas subespecialidades. Conheça a fundo o mindset do médico emergencista e como as coisas funcionam em um departamento de emergência. Aproveite para estimular o pensamento fora da caixa com subespecialidades como medicina de áreas remotas, ultrassonografia, medicina de desastres, toxicologia, entre outras.
  • Invista no networking local. Não há nada mais vantajoso do que se aproximar de quem também gosta do mesmo assunto. Procure os programas de residências em Medicina de Emergência próximos a sua universidade, conheça os residentes e os preceptores. Eles serão grandes parceiros para eventos e inclusive projetos de pesquisa.
  • Assuma posições de lideranças. Há quem diga, inclusive, que o emergencista é líder por natureza. Verdade ou não, assumir posições de lideranças irá contribuir de forma avassaladora em sua formação acadêmica e irá possibilitar uma infinidade de oportunidades para crescimento pessoal e profissional.

De norte a sul do país, já são mais de 100 ligas de emergência lutando, junto com a Comissão Acadêmica e a ABRAMEDE, pela divulgação e fortalecimento da Medicina de Emergência dentro do meio acadêmico. Tendo isso em mente, criamos o Projeto Ligas em Foco, um espaço das ligas e para as ligas. Nosso objeto é dar aos estudantes a oportunidade de compartilhar seus sucessos e experiências e desenvolver um portal de acesso aberto com recursos relacionados ao desenvolvimento das Ligas de Emergência. Acesse aqui para conhecer os posts mais recentes de ligas colaboradoras e para saber como você também pode contribuir.

A trajetória é longa e temos muito desafios pela frente. Mas não estamos sozinhos, em cada universidade, em cada turma, sempre tem um futuro emergencista só esperando encontrar o seu caminho.

Cite esse post como: HERPICH, H. Ligas de Emergência: socorrendo a graduação. Ligas em Foco, Comissão Acadêmica da ABRAMEDE, jun/2021. Disponível em: https://abramede.com.br/ligas-de-emergencia-socorrendo-a-graduacao/